A distância que nos separa
do último beijo
tem promessas escondidas pelo medo,
e um cheirinho doce a holocausto.
O milímetro que separa
os meus lábios dos teus
tem uma imensidão de memórias negras,
ácidas, a proibir a destruição
e o eclipse final da nossa união:
as tuas mãos nas minhas;
os desenhos de carinho assustado que continuamos a evitar.
o teu cabelo no meu rosto, na redenção de um momento pronto a explodir.
as ideias fúnebres que envolvem os nossos olhares despedaçados.
as promessas de sangue e desilusão
cada vez que te deixo partir.
a certeza assassina do teu corpo
com outros corpos,
do teu olhar para sempre exilado
do meu.
Quando tudo acabar
sobrarão sonhos queimados,
corpos desfeitos e o medo
de que o fim possa nunca mais chegar.
domingo, maio 20, 2012
quarta-feira, maio 16, 2012
segunda-feira, maio 14, 2012
São os meus poemas
desenhados pelo teu rosto despido
espalhados pelo teu sorriso infinito
a terminar num beijo imaginado de saudade.
São os passos de dança dos teus cabelos
a preencher o espaço invisível que nos separa,
desenhados na nudez dos teus ombros descalços
a disfarçar a sedução da tua fuga à intimidade
É o brilho explosivo dos teus olhos
que me atrevessa até aquele lugar bem fundo
onde a esperança se esconde
e os sonhos têm contornos incertos de imortalidade.
É a tua pele
como a tentação suprema
como a promessa de uma paz sem pressas
como o sabor indisfarçável da felicidade.
São os teus lábios
a explicarem-me a violência da ternura
o suícidio voluntário da inocência
a colorir de certezas a cumplicidade.
E as tuas feridas graníticas,
quase definitivas,
a afastar-me irremediavelmente do teu abraço,
e do teu cheiro impossível a eternidade.
Há, nos teus olhos, uma verdade incondicional.
(a promessa da fuga definitiva à solidão):
as esmeraldas escondidas no fundo do teu sorriso;
as ondas dos teus cabelos, infinitas,
definitivas como o fundo do mar;
o balançar do teu corpo, na sedução de quem
assume sem preconceito a possibilidade do fim do mundo,
mesmo quase a chegar;
a tua pele, estendida na minha
como o encontro de duas praias
no dia em que os oceanos se cansaram de existir.
O nosso destino, talvez: o fim
do mundo: cidades em chamas;
o holocausto vulcânico do nosso encontro final
a devolver o fim ao mundo
perdido há tempo demais.
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