Há uma sombra
no teu lugar à mesa, preenchido
pela Ausência.
Há uma sombra
no despedaçar ruminante dos momentos,
nos espaços vazios entre almoços
e jantares, em que esperamos por ti.
Há uma sombra
no vácuo que nos engole as palavras,
a disfarçar a indiferença impossível de estares longe.
Há uma sombra.
Há uma sombra
que nos cobre;
Uma sombra tenebrosa que nos lembra
que nenhum de nós viverá para sempre,
e tu também não.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
sábado, fevereiro 20, 2010
Habemus Capa!
sábado, fevereiro 13, 2010
Espaço Informativo #1
Dado que, aparentemente, o número de frequentadores mais ou menos assíduos deste espaço é afinal superior à meia dúzia - contra todas as minhas expectativas! - vejo-me forçado a reabrir o blog e a apresentar as minhas desculpas por ter sido obrigado a fecha-los nos últimos dias.
No entanto, a razão é bastante simples: resolvi finalmente aceitar um convite para publicar um livro de poesia. Dado que muito do conteúdo do mesmo se encontrava publicado neste espaço, tive que o suspender enquanto não tive tempo de apagar os materiais que serão incluídos no livro. Assim que tiver mais novidades, publica-las-ei aqui. A data de publicação esperada será algures no Verão deste ano, se tudo correr bem. Espero dentro de alguns dias poder dar uma espreitadela ao que será provavelmente a capa do livro. ;) Estejam atentos!
terça-feira, janeiro 12, 2010
Era tão bom viver nos anos 60, e acreditar ser um bocadinho menos estúpido do que agora. Ser-se hippy e ser legítimo ter a certeza que um dia podia ser tudo melhor, e que esse dia podia até ser amanhã. Não ter que ter medo, renegar o medo, ostracizar o medo. Quantos milhões de girassóis são precisos para cobrir a bomba de hidrogénio? Quantos milhões de pessoas fotocopiadas são necessárias para nos sentir-mos normais? Não vale a pena contar. Ou acreditar. E acabar enrabado numa valeta encharcada de chuvas e mijo, com um tubo metálico tão largo como uma bomba a rasgar-nos o cu ensanguentado. Ou então sozinhos. Mas que diferença faz? Deixamos o tempo avançar desumanamente porque nos esquecemos de lhe dar um bocadinho de humanidade. Não é ele de certeza o culpado pelos violadores de túmulos, mortos e velhinhas. O que é que vocês querem? O tipo continua estendido na estrada, com o rabo aberto em forma de flor vermelha, o tubo quase a empurrar-lhe as órbitas para fora, mas os carros não podem parar nem olhar, está verde e ninguém quer ouvir o tipo de trás buzinar, sair cá para fora com esta chuva toda e levar um tiro porque parou no amarelo e está a chover como o caralho. E o tipo está morto, enrabado ou não, pelo menos não sou eu. E há sopa em casa e é dia de futebol, e isso é que é importante.
domingo, dezembro 27, 2009
Para uma menina, com uma flor
"E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê."
Vinícius de Moraes, Para uma menina com uma flor
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