O meu silêncio
em forma de escudo
estilhaçado, despedaçado
cada vez que te vejo passar.
Evitar-te como o condenado evita
a morte: em vão.
Fujo-te e encontro-te,
e quando
finalmente te escapo
invades-me os sonhos
em cenários impossíveis:
as tuas mãos morenas, abertas
num gesto tão impossível
que me faz
acordar;
os teus lábios
nos meus
a recordar beijos,
a prometer alegrias...
Cada vez que me julgo a salvo
assaltas o desassossego
das minhas primaveras
com olhares à prova de bala
e gestos esquecidos
impermeáveis ao esquecimento
a recordar-nos pesadelos melhores.
sábado, novembro 17, 2012
em ti
Estou dentro de ti.
Procuro
no fundo de ti
um vestígio húmido
de esperança.
No teu abraço
o fim e o princípio da solidão
encontram-se.
Os teus olhos
negros,
fechados,
escondem de nós tudo
o que conhecemos:
o fim
o destino vazio de um orgasmo
simulado
que me deste de presente
no dia da tua partida
definitiva,
no aniversário do dia em que descobrimos
o quão fácil era para nós
acreditar na felicidade de faz de conta,
que nos ocupou um inverno inteiro
um inverno cansado
com estrelas cadentes
de desilusões,
e futuros luminosos
que nunca deixaste acontecer.
Procuro
no fundo de ti
um vestígio húmido
de esperança.
No teu abraço
o fim e o princípio da solidão
encontram-se.
Os teus olhos
negros,
fechados,
escondem de nós tudo
o que conhecemos:
o fim
o destino vazio de um orgasmo
simulado
que me deste de presente
no dia da tua partida
definitiva,
no aniversário do dia em que descobrimos
o quão fácil era para nós
acreditar na felicidade de faz de conta,
que nos ocupou um inverno inteiro
um inverno cansado
com estrelas cadentes
de desilusões,
e futuros luminosos
que nunca deixaste acontecer.
sexta-feira, novembro 16, 2012
detalhes de um outono vestido de sangue
As árvores sangram:
arco-íris escarlates vestem as árvores
secas, à espera
da nudez estéril de um novo inverno.
É Outono:
um sol glaciar atravessa a cidade;
as pessoas sorriem pelas ruas,
passeiam à procura de todos os santos
ou de um amigo só.
A melancolia instala-se
de veludo;
traz detalhes de cinismo,
e explica aos corações isolados
que o natal é quando um homem quiser,
mas ninguém na verdade o quer.
O Outono (def.): estação de transição em que o sol de um verão esquecido se prostitui à verdade negra de um inverno prestes a chegar; época de mendigos e sem-abrigo, a celebrar na rua de falos e seios expostos os meses que antecedem o terror árctico da sua extinção anunciada...
[...e em que os mais desafortunados choram sobre cadáveres despidos o fim definitivo da paixão balnear, destino árido de todos aqueles que não se podem dar ao luxo de morrer à fome.]
arco-íris escarlates vestem as árvores
secas, à espera
da nudez estéril de um novo inverno.
É Outono:
um sol glaciar atravessa a cidade;
as pessoas sorriem pelas ruas,
passeiam à procura de todos os santos
ou de um amigo só.
A melancolia instala-se
de veludo;
traz detalhes de cinismo,
e explica aos corações isolados
que o natal é quando um homem quiser,
mas ninguém na verdade o quer.
O Outono (def.): estação de transição em que o sol de um verão esquecido se prostitui à verdade negra de um inverno prestes a chegar; época de mendigos e sem-abrigo, a celebrar na rua de falos e seios expostos os meses que antecedem o terror árctico da sua extinção anunciada...
[...e em que os mais desafortunados choram sobre cadáveres despidos o fim definitivo da paixão balnear, destino árido de todos aqueles que não se podem dar ao luxo de morrer à fome.]
segunda-feira, novembro 12, 2012
assim
Um amor assim,
lento,
a chegar devagar,
sem pressas
na certeza típica da eternidade.
Os teus olhos,
assim,
como amêndoas impossíveis
a resistir às estações
e ao sangue;
a explicar-me sem gestos
que o mundo pode mesmo não ter fim.
O teu corpo
como o testamento mais antigo
como a beleza definida
ainda antes da criação,
A tua presença
e a tua ausência
a coincidirem no meu coração,
a pintar esperanças
com aguarelas invisíveis
num código secreto
que tento em vão decifrar.
lento,
a chegar devagar,
sem pressas
na certeza típica da eternidade.
Os teus olhos,
assim,
como amêndoas impossíveis
a resistir às estações
e ao sangue;
a explicar-me sem gestos
que o mundo pode mesmo não ter fim.
O teu corpo
como o testamento mais antigo
como a beleza definida
ainda antes da criação,
A tua presença
e a tua ausência
a coincidirem no meu coração,
a pintar esperanças
com aguarelas invisíveis
num código secreto
que tento em vão decifrar.
sábado, novembro 03, 2012
deo ignoto
Ignoro-te.
(o teu olhar como a ameaça atómica, espalha o terror pelo sono sem abrigo dos abandonados)
Esta noite tem um disfarce de veneno especial. O céu, como uma catedral de estrelas, espalha-nos sobre as almas fés impossíveis, armas apontadas ao epicentro da ilusão que invade a nossa embriaguez imaculada.
Fecho os olhos. Abandono-te, na certeza de ignorares o meu nome, o meu rosto, o meu cheiro.
Fujo de nós. As ruas vomitadas emprestam-me um abrigo provisório, um porto seguro, distante do teu sorriso encantado, apontado à minha perdição. Respiro fundo. Arranco do peito a indiferença instantânea com que me tentaste em vão crucificar. Não há sangue. As ruas continuam as mesmas: os mesmo lugares, as mesmas casas, os mesmo bares, os mesmo olhares.
Estamos exaustos
(ausentes um do outro)
Não te conhecer foi a melhor coisa que me podia ter acontecido.
Subscrever:
Mensagens (Atom)