Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda
Quero fazer uma poesia.
Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado
E me trazer muito devagarinho.
Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave
Quero fazer uma poesia.
Se me telefonarem, só estou para Maria
Se for um trote, me chama depressa
Tenho um tédio enorme da vida.
Diz a Amélia para procurar a "Patética" no radio
Se houver um grande desastre vem logo contar
Se o aneurisma de dona Ângela arrebentar, me avisa
Tenho um tédio enorme da vida.
Liga para vovó Nenem, pede a ela uma ideia bem inocente
Quero fazer uma grande poesia.
Quando meu pai chegar tragam-me logo os jornais da tarde
Se eu dormir, pelo amor de Deus, me acordem
Não quero perder nada na vida.
Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar?
Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas?
Tenho um tédio enorme da vida.
Minha mãe estou com vontade de chorar.
Estou com taquicardia, me da um remédio
Não, antes me deixa morrer, quero morrer, a vida
Já não me diz mais nada
Tenho horror da vida, quero fazer a maior poesia do mundo
Quero morrer imediatamente.
Fala com o Presidente para fecharem todos os cinemas
Não aguento mais ser censor.
Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filho
Teu falso, teu miserável, teu sórdido filho
Que estala em força, sacrifício, violência, devotamento
Que podia britar pedra alegremente
Ser negociante cantando
Fazer advocacia com o sorriso exato
Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor
Saber ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua puríssima carícia.
sábado, outubro 01, 2011
segunda-feira, julho 18, 2011
Poligamia Eléctrica
Eles invadem a noite:
um número indefinido
de sorrisos
ligados à corrente,
luminosos e negros,
como a noite que se esconde para lá das luzes
e da batida perdida da noite.
Um sem número de paixões clandestinas,
escondidas dos fantasmas de pó e de sangue,
que explodem como música
ou outro acidente qualquer.
Sexo e semi-amores itermitentes,
alimentados a red-bull, ecstasy e esperança
como se o fim do mundo tivesse chegado,
e a única saída seja a celebração.
As bocas intoxicadas encontram-se em desconhecidos.
O tempo disfarça-se de vento e gelo nas costas despidas de amantes
aleatórios, almas gémeas de pequenos minutos
em que alguns
[inconscientes de futuros impossíveis]
arriscam ser felizes.
No dia seguinte resta um hálito a tristeza,
e a esperança que a música nos devolva o fim do mundo
e a liberdade de uma noite mais.
um número indefinido
de sorrisos
ligados à corrente,
luminosos e negros,
como a noite que se esconde para lá das luzes
e da batida perdida da noite.
Um sem número de paixões clandestinas,
escondidas dos fantasmas de pó e de sangue,
que explodem como música
ou outro acidente qualquer.
Sexo e semi-amores itermitentes,
alimentados a red-bull, ecstasy e esperança
como se o fim do mundo tivesse chegado,
e a única saída seja a celebração.
As bocas intoxicadas encontram-se em desconhecidos.
O tempo disfarça-se de vento e gelo nas costas despidas de amantes
aleatórios, almas gémeas de pequenos minutos
em que alguns
[inconscientes de futuros impossíveis]
arriscam ser felizes.
No dia seguinte resta um hálito a tristeza,
e a esperança que a música nos devolva o fim do mundo
e a liberdade de uma noite mais.
segunda-feira, julho 11, 2011
Como as estrelas todas,
e o mar inteiro no teu olhar:
há algo no fundo de nós que não se explica,
mas que se encaixa.
Como os nossos lábios,
como os nossos sorrisos tímidos
numa fuga preguiçosa de quem se quer encontrar.
Existe no fundo de nós algo que nos quer
com a violência e a certeza de uma bala
com a doçura e o medo do primeiro olhar.
Há qualquer coisa,
que as ondas parecem perceber,
que o vento nos tenta sussurar,
Algo que nós sabemos,
mas não sabemos explicar.
e o mar inteiro no teu olhar:
há algo no fundo de nós que não se explica,
mas que se encaixa.
Como os nossos lábios,
como os nossos sorrisos tímidos
numa fuga preguiçosa de quem se quer encontrar.
Existe no fundo de nós algo que nos quer
com a violência e a certeza de uma bala
com a doçura e o medo do primeiro olhar.
Há qualquer coisa,
que as ondas parecem perceber,
que o vento nos tenta sussurar,
Algo que nós sabemos,
mas não sabemos explicar.
quinta-feira, junho 02, 2011
Procura-me.
Nas tempestades,
nas lâminas de silêncios que finges não perceber,
nos abraços sem querer que nos esquecemos de evitar.
Deixa-me, e encontra-me de novo
nas chuvas e nos espaços
vazios que preenchem as nossas ausências resignadas.
Deixa os livros e as promessas
de inícios que escondemos por detrás de olhares implacáveis
para trás.
Vamos partir.
à procura de tudo o que temos medo de encontrar
aqui
bem no fundo,
quase perdido,
mesmo no meio de nós.
Nas tempestades,
nas lâminas de silêncios que finges não perceber,
nos abraços sem querer que nos esquecemos de evitar.
Deixa-me, e encontra-me de novo
nas chuvas e nos espaços
vazios que preenchem as nossas ausências resignadas.
Deixa os livros e as promessas
de inícios que escondemos por detrás de olhares implacáveis
para trás.
Vamos partir.
à procura de tudo o que temos medo de encontrar
aqui
bem no fundo,
quase perdido,
mesmo no meio de nós.
quarta-feira, maio 11, 2011
5.
Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.
Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.
Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
Del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.
Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.
... Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.
Pablo Neruda, Crepusculario
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