quinta-feira, março 25, 2010

A solidão encontrou-os assim,
frente a frente,
ela com uma lágrima no olho
ele com um medo do tamanho do munho a esconder-lhe as mãos.

A solidão juntou-os assim
ao longe, unidos pela distância
de quase impossíveis, ao sabor
de contratempos e desilusões
todas iguais.

A solidão levou-os assim,
perdidos, desviados para cemitérios
em primaveras que prometiam não ter fim.

Eles continuaram assim
juntos na solidão e no receio
itermitente, por vezes disfarçado,
de serem alguém.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Há uma sombra.

Há uma sombra
no teu lugar à mesa, preenchido
pela Ausência.

Há uma sombra
no despedaçar ruminante dos momentos,
nos espaços vazios entre almoços
e jantares, em que esperamos por ti.

Há uma sombra
no vácuo que nos engole as palavras,
a disfarçar a indiferença impossível de estares longe.
Há uma sombra.

Há uma sombra
que nos cobre;
Uma sombra tenebrosa que nos lembra
que nenhum de nós viverá para sempre,
e tu também não.

sábado, fevereiro 20, 2010

Habemus Capa!

Já estou em condições de apresentar a versão final da capa do livro. Aqui fica. Aceitam-se opiniões! =)

sábado, fevereiro 13, 2010

Espaço Informativo #1

Dado que, aparentemente, o número de frequentadores mais ou menos assíduos deste espaço é afinal superior à meia dúzia - contra todas as minhas expectativas! - vejo-me forçado a reabrir o blog e a apresentar as minhas desculpas por ter sido obrigado a fecha-los nos últimos dias.
No entanto, a razão é bastante simples: resolvi finalmente aceitar um convite para publicar um livro de poesia. Dado que muito do conteúdo do mesmo se encontrava publicado neste espaço, tive que o suspender enquanto não tive tempo de apagar os materiais que serão incluídos no livro. Assim que tiver mais novidades, publica-las-ei aqui. A data de publicação esperada será algures no Verão deste ano, se tudo correr bem. Espero dentro de alguns dias poder dar uma espreitadela ao que será provavelmente a capa do livro. ;) Estejam atentos!


terça-feira, janeiro 12, 2010

Era tão bom viver nos anos 60, e acreditar ser um bocadinho menos estúpido do que agora. Ser-se hippy e ser legítimo ter a certeza que um dia podia ser tudo melhor, e que esse dia podia até ser amanhã. Não ter que ter medo, renegar o medo, ostracizar o medo. Quantos milhões de girassóis são precisos para cobrir a bomba de hidrogénio? Quantos milhões de pessoas fotocopiadas são necessárias para nos sentir-mos normais? Não vale a pena contar. Ou acreditar. E acabar enrabado numa valeta encharcada de chuvas e mijo, com um tubo metálico tão largo como uma bomba a rasgar-nos o cu ensanguentado. Ou então sozinhos. Mas que diferença faz? Deixamos o tempo avançar desumanamente porque nos esquecemos de lhe dar um bocadinho de humanidade. Não é ele de certeza o culpado pelos violadores de túmulos, mortos e velhinhas. O que é que vocês querem? O tipo continua estendido na estrada, com o rabo aberto em forma de flor vermelha, o tubo quase a empurrar-lhe as órbitas para fora, mas os carros não podem parar nem olhar, está verde e ninguém quer ouvir o tipo de trás buzinar, sair cá para fora com esta chuva toda e levar um tiro porque parou no amarelo e está a chover como o caralho. E o tipo está morto, enrabado ou não, pelo menos não sou eu. E há sopa em casa e é dia de futebol, e isso é que é importante.