quarta-feira, setembro 17, 2008

The Falling of the Leaves

Autumn is over the long leaves that love us,
And over the mice in the barley shaves;
Yellow the leaves of the rowan above us,
And yellow the wet wild-strawberry leaves.

The hour of the waning of love has beset us,
And weary and worn are our sad souls now;
Let us part, ere the season of passion forget us,
With a kiss and a tear on thy drooping brow.

Collected Poems, W. B. Yeats

terça-feira, setembro 16, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

L - Um Céu-Autoestereograma

Claro não sei ler nesses teus olhos_______

Esse olhar mistério de azul cinzento verde
em que se espalha a indolência de um céu pálido
numa sucessão de sonho ternura e crueldade
faz-me lembrar aqueles dias tépidos e velados
que mergulham em lágrimas os corações inquietos
fascinados por um mal desconhecido que os destroça
forçando os nervos demasiado vivos a fazer troça do Witz embotado

Também é verdade que por vezes me lembra
esses magníficos horizontes  iluminados pela luz de estações de bruma
em que por momentos resplandece uma paisagem húmida
que inflamam raios enviados por um céu desnorteado

Torna-se perigoso um clima sedutor se feminino

Pergunto-me se adorando esses olhos
saberei tirar da sua frieza implacável
prazeres mais intensos do que os densos ferro e gelo


Charles Baudelaire: As Flores do Mal, tradução de Maria Gabriela LLansol

terça-feira, agosto 26, 2008

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são
[doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente
[exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua
[voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a
[madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande
[íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala
[amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono
[desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes. Antologia Poetica